Apeles Demóstenes da Rocha Espanca

Artista como a irmã, que lhe consagrou o livro de prosa “Máscaras do Destino” aberto com o conto
O Aviador”, dedicando-lhe na “Charneca em Flor” o soneto “In Memoriam”.

O Navegador

Apeles Demóstenes da Rocha Espanca nasce a 10 de Março de 1897, em Vila Viçosa.

Apeles foi criado pela mãe até aos cinco anos de idade, quando se juntou à irmã, em casa do pai e da madrasta.

Herdando a veia artística da família, Apeles foi artista, pintor modernista dotado de grandes qualidades que imprimiu em óleos e aguarelas que chegaram a ser publicadas na Ilustração (direção de João de Sousa Fonseca) e expostas ao público.

Mas a vida militar levou a melhor e Apeles tornou-se Tenente da Marinha e da Aviação, passando a maior parte do tempo fora de Portugal. Quando não estava a navegar o Atlântico entre Portugal e o Brasil, andava por terras africanas em países como o Congo Belga, Angola e outras ex-colónias portuguesas. Para quebrar a distância era frequente a muita correspondência entre Apeles, a irmã e a restante família.

Acabou por falecer muito jovem, aos 30 anos, quando fazia provas para concluir o brevet de piloto aviador, enquanto dirigia um hidroavião Hanriot 33. Despenhou-se sobre o Rio Tejo, em Lisboa, ao largo de Porto Brandão, abalando profundamente a saúde física e mental da irmã-poetisa.

Florbela consagrou-lhe o livro de prosa Máscaras do Destino, que abria com o conto “O Aviador”, dedicado “a meu irmão, ao meu querido Morto”.

Do Amor Fraterno

Nesta que é a sua casa, já salientámos que Florbela viveu muito à frente do seu tempo. Que a sociedade da época nunca lhe perdoou o temperamento “dominador” e os comportamentos “transgressores”: casou três vezes, fumava, bebia, frequentava a vida boémia. Que os seus contemporâneos nunca compreenderam a ousadia de querer ser livre, de amar como os homens, de pensar pela própria cabeça e de querer conduzir o seu destino.

Entre tantas afrontas que lhe foram dirigidas, Apeles está no centro daquela que foi de todas a mais injusta: o boato corrosivo que circulou sobre a existência de uma relação incestuosa entre a poetisa e o seu irmão. Uma lenda inventada para macular o mito.

É certo que o desaparecimento de Apeles foi, para Florbela, uma viuvez. Mas longe do sentido carnal da palavra, Florbela chorava a dor do coração vazio, a solidão da cadeira sem par, o peso da saudade do irmão. Ele que era o seu elo com a infância, o seu porto seguro de equilíbrio, aquele que mais incentivo dava ao seu trabalho poético, em quem se revia intelectualmente.

Apeles era, para Florbela, um semi-Deus que, ao desaparecer para sempre, criou na escritora um vazio do qual nunca mais recuperou.

Um dia confessou: “Eu choro o meu amor maior, o meu orgulho,metade da minha alma”, chorava a saudade de metade de si!

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AA. VV., Florbela! Flor Bela! : Exposição comemorativa do Centenário de Florbela Espanca,1894/1994, org. Biblioteca Florbela Espanca, Associação Portuguesa de Artistas, Vila Viçosa,Grupo Pró-Évora, Évora, 1994 (BA. 14756 V.)
AA. VV., Florbela Espanca, Rev. Alentejana, no 332, Dezembro, Casa do Alentejo, Lisboa,1964.
BESSA-LUIS, Agustina, Florbela Espanca – A Vida e a Obra, Col. A Obra e o Homem, ed.Arcádia, Lisboa, 1979
GUEDES, Rui Guedes, Acerca de Florbela, Publicações D. Quixote, Lisboa, 1986
CASA FLORBELA ESPANCA®, Arquivo, Vila Viçosa 2020
Autoria – Franquiline Triet e Tiago Salgueiro